Copa América mantém estilos conservadores

Esta edição da Copa América tem retratado a pobreza técnica do futebol sul-americano, se comparado ao europeu. Está perdendo qualidade como produto atrativo, pois apresentou, até o momento, jogos que contém muito vigor físico e pouco arrojo técnico e tático. Só se mantém rentável devido ao alto custo dos ingressos, mas como espetáculo está sendo decepcionante.

A precisão nas finalizações das equipes, também, tem se mostrado deficitária, o que acarreta pouca quantidade de gols marcados. Na fase de quartas de final somente a Argentina marcou 2 gols no tempo regulamentar da partida. Os demais classificados, Brasil, Chile e Peru, garantiram a permanência na competição em cobranças de pênaltis, pois empataram no tempo normal de jogo, sem marcar gols.

As Seleções estão abusando das ligações diretas e o problema de criatividade tem se repetido em todos os times. Mesmo, as equipes de melhor qualidade estão apresentando poucas variações táticas. A impressão que fica, é de que os técnicos estão apostando em uma única formação, sem terem um plano “B” para ser utilizado, quando a estratégia proposta inicialmente não funciona de forma eficaz.

Com isso, está se evidenciando que no futebol sul-americano são poucas equipes que prezam por esquemas elaborados, com toque de bola e associações através do meio campo. A maioria das Seleções apostam em defesa forte e velocidade. Assim, os times mais qualificados tecnicamente estão apresentando dificuldades em mostrar sua superioridade, devido à postura dos adversários.

Outro fator prejudicial é a qualidade não adequada dos gramados dos estádios brasileiros que estão sediando os jogos. Problemas relacionados à arbitragem também estão atrapalhando o bom andamento das partidas. Dentre eles a demora nas verificações do VAR, tem deixado as partidas com longas interrupções. Além disso, as cobranças de faltas também estão sendo demoradas. Assim, o tempo de acréscimo ao final da partida não são suficientes para suprir os períodos de interrupções.

A meu ver, a Colômbia foi uma das equipes que apresentou desempenho coletivamente mais seguro, com meio campo organizado e ataque letal. O Uruguai comandado por Óscar Tabárez, também, mostrou conjunto harmonioso, com talentos individuais que proporcionaram equilíbrio entre os setores. Mas, nas quartas de finais, essas equipes não conseguiram concretizar o domínio em chances reais de gol e foram eliminadas.

Para as semifinais, teoricamente os confrontos possuem características opostas. No jogo entre Brasil e Argentina é difícil apontar favoritos, pois as duas equipes possuem estilo mais técnico. Já, no confronto entre Chile e Peru, a análise técnica tende a considerar ligeira vantagem para o Chile, que apresenta maior equilíbrio em campo.

Brasil X Argentina

Tanto a Seleção Brasileira como a da Argentina são equipes que possuem potencial para superar as dificuldades apresentadas até o momento na competição. Possuem elencos de qualidade que se conseguirem organização em campo, com certeza, farão um bom confronto. A rivalidade, que é histórica entre essas Seleções, também, tende a acirrar a disputa.

Apesar de estarem em momentos não estáveis tática e tecnicamente, o clássico tende a ser equilibrado e acredito que vencerá a equipe que estiver mais focada e conseguir cometer menos erros durante a partida.

Chile X Peru

Será um confronto de estilos opostos e a tendência é que o Peru utilize a estratégia mais conservadora possível, permanecendo fechado em sua defesa. Provavelmente atuará mais tentando anular os ataques do Chile, do que sendo ofensivo. O técnico Gareca deverá utilizar estratégia semelhante a que teve contra o Uruguai, visando o empate e deixando para a cobrança de pênaltis a definição da vaga da final.

Por outo lado, o Chile que possui elenco de melhor qualidade, tem maiores possibilidades de apresentar variações táticas e futebol mais seguro. Com estilo que costuma mesclar posse de bola com velocidade, tem potencial para desequilibrar totalmente a disputa a seu favor.