Argentina melhora, mas só camisa pesada e Messi não serão suficientes para o título

As mudanças do técnico Lionel Scaloni surtiram efeito e, diante do frágil Catar, a Argentina conseguiu sua primeira vitória na Copa América e a classificação para as quartas de final. O triunfo por 2 a 0 deixou a seleção alviceleste no segundo lugar do Grupo B, tendo agora a Venezuela pela frente na próxima fase, sexta-feira, às 16h, no Maracanã.

Precisando vencer para evitar um vexame histórico, a Argentina jogou melhor na Arena do Grêmio do que nos dois primeiros jogos - derrota para a Colômbia e empate com o Paraguai - mas esteve longe de encantar e ainda sofreu alguns sustos.

Mesmo tendo Messi, um dos melhores de todos os tempos, e uma camiseta pesada, que pode fazer a diferença em momentos decisivos, a Argentina não chega ao mata-mata da Copa América como uma das favoritas. Se quiser voltar a conquistar um título depois de 26 anos, será preciso jogar muito mais.

A vitória sobre o Catar serviu para indicar alguns caminhos à equipe. Um deles é o do esquema com três atacantes. Com Agüero de volta, ao lado de Lautaro Martínez, a Argentina teve mais presença de área e possibilitou que Messi ficasse mais solto para se movimentar entre os zagueiros e os volantes.

Antes, quando o camisa 10 recuava, o outro atacante ficava muito isolado para brigar com os zagueiros adversários e não conseguia oferecer opções de tabela.

O esquema deve ser mantido contra a Venezuela, mas é preciso de maior comprometimento dos homens de frente na recomposição defensiva. Como Messi não tem obrigações defensivas (nem deveria), Agüero e Lautaro precisam voltar e fechar espaços pelo lado, algo que não aconteceu em alguns momentos contra o Catar.

Outra coisa que ficou clara no duelo do último domingo é que o meio de campo ainda é um problema. Novamente Scaloni mexeu no setor, mas, apesar de ligeira evolução, ainda falta criatividade e velocidade à seleção.

Também houve muitos erros de passe e finalizações, embora seja preciso fazer a ressalva de que o gramado estava muito ruim e atrapalhou os jogadores. Mas nem o estado do gramado é desculpa para a péssima saída de bola dos zagueiros Foyth e Otamendi.

O gol cedo, aos três minutos, tirou um pouco da pressão sobre a Argentina, mas não ofereceu a possibilidade de contra-atacar, como poderia se esperar. Atrás no placar, o Catar manteve a organização defensiva e não se lançou desesperadamente à frente.

Mesmo com mais posse de bola e tendo finalizado mais, a seleção alviceleste sofreu alguns sustos no primeiro momento, fruto de desatenções na marcação. São problemas que acabam passando em jogos como o do último domingo, mas não costumam ser perdoados por adversários como Brasil, Uruguai, Chile...

Na etapa final, os argentinos foram cozinhando o jogo e enfileirando chances perdidas, principalmente com Agüero, que fez o segundo gol, mas poderia ter anotado outros mais.

Messi e a Argentina voltarão ao Maracanã nesta sexta cinco anos depois da derrota para a Alemanha na final da Copa do Mundo de 2014. Para estar novamente no estádio em 7 de julho, data da final da Copa América, ainda é preciso jogar muito mais.